
Não é ORIXÁ. Encontra-se num plano mítico e simbólico superior ao dos
outros orixás. Se Olórún é o ser supremo dos yorubás, o nome que dão ao
Absoluto, Òrúnmìlà é a sua emanação mais transcendente, mais distanciada
dos acontecimentos do mundo sub-lunar.
Ritual
de Òrúnmìlà é extremamente rico e complexo e atesta a profundidade da tradição
yorubá preservada, em alguns lugares no Brasil, tornando-o de fato equivalente,
em riqueza mítica e simbólica.
Na tradição de Ifé é o primeiro companheiro e "Chefe Conselheiro"
de Odùduà quando da sua chegada à Ifé. Outras fontes dizem que ele estava
instalado em um lugar chamado Òkè Igèti antes de vir fixar-se em Òkè Itase,
uma colina em Ifé onde mora Àràbà, a mais alta autoridade em matéria de
adivinhação, pelo sistema chamado Ifá. É também chamado Àgbónmìrégún
ou Èlà. É o testemunho do destino das pessoas e, por esta razão, é chamado
Eléèrì Ìpín.
Os babalaôs (pais do segredo), são os porta vozes de Orunmilá, que não é
Orixá nem ebora. A iniciação de um babalaô não comporta a perda momentânea
de consciência que acompanha a dos orixás. Não se trata de ressucitar no
incosciente do babalaô o "eu perdido", correspondente à
personalidade do ancestral divinizado. É uma iniciação totalmente
intelectual. Ele deve passar um longo período de aprendizagem, de conhecimentos
precisos,em que a memória, principalmente, entra em jogo. Precisa aprender uma
quantidades de Itans (histórias) e de lendas antigas, classificadas nos
duzentos e cincoenta e seis odú (signos de Ifá), cujo conjunto forma uma espécie
de enciclopédia oral dos conhecimentos do povo de língua yorubá.

Todo indivíduo nasceu ligado a um desses 256 odú. No momento do nascimento de
uma criança, os pais pedem ao babalaô para indicar a que odú a criança está
ligada. O odú dá a conhecer a identidade profunda de cada pessoa, serve-lhe de
guia na vida, revela-lhe o orixá particular ao qual ele deve eventualmente ser
dedicada, além do da família, e dá-lhe outras indicações que a ajudarão a
comportar-se com segurança e sucesso na vida.
Dois
sistemas permitem ao babalaô encontrar o signo de Ifá que está sendo
procurado, chave do problema que lhe apresenta o consulente. Um deles é
bastante elaborado, manipula-se de acordo com certas regras, dezesseis caroços
dos frutos do dendezeiro, chamados "coco de Ifá", os ikin ifá, o
outro é mais simples e consiste em utilizar um opele ifá, uma corrente onde
estão enfiadas oito metadas do caroço de uma certa fruta.
Um odú de ifá é formado pelo conjunto de duas colunas verticais e paralelas,
de quatro índices cada uma; cada índice compõe-se de um traço vertical ou de
dois traços verticais. Há dezesseis combinações possíveis para cada uma das
colunas e cada uma delas tem um nome.
1)
Ogbè
2)
Oyèkú
3)
Ìwòri
4)
Òdí
5)
Ìrosùn
6)
Òwónrín
7)
Òbàrà
8)
Òkànràn
9)
Ògúndà
10)
Òsá
11)
Ìká
12)
Òtúrúpòn
13)
Òtúrá
14)
Ìrètè
15)
Òxé
16)
Òfún
Cada um desses dezesseis nomes justapostos, com eles mesmos ou com algum dos
quinze outros, forma o nome de um dos duzentos e cinqüenta e seis
odú.
Orunmila embora não seja um orixá, participa muitas vezes nas histórias de Ifá,
da vida e das aventuras dos deuses yorubás.